Morre Roberto Faria após uma vida de mais de 40 anos dedicados à fotografia

Créditos: João Paulo Ouverney
Créditos: João Paulo Ouverney
Faleceu nesta segunda-feira, dia 9 de outubro de 2017, o fotógrafo Geraldo Roberto Sampaio Faria, mais conhecido por Roberto Faria, apelido de “Corvo”. Segundo informações, ele estava internado no Hospital Regional de Taubaté, deverá vir para o velório da Santa Casa e ser sepultado na manhã de terça-feira, às 10h.
Durante seus 77 anos de vida bem vivida, ele tirou milhares de fotografias de  pessoas de todas as classes sociais; de tudo quanto é evento que se possa imaginar; de artistas, atletas,  jogos, casamentos, muita gente famosa, mas ele mesmo aparece em poucas fotos.
Roberto Faria, sãopaulino, signo de Câncer, viúvo, pai de três filhos (Andréa, Roberta e Fabiano)  foi uma pessoa sempre bem humorada, alegre, brincando, contando piadas.
Certamente um dos cidadãos mais conhecidos e estimados de nossa cidade, que deixou a vida para entrar na história de Pindamonhangaba.

No dia 6 de outubro de 2010 eu fiz uma matéria sobre ele e publiquei no extinto Jornal da Cidade, leia a entrevista completa:

Jornal da Cidade – Como você descobriu a vocação para a fotografia?
Roberto Faria  - Em 1969 eu já gostava de fotografia e fui para a Suiça, onde fiz um curso de especialização e aproveitei para comprar minha primeira máquina, uma Yashica Mat 124, que era o último lançamento mundial na época.

JC – Você trabalhou com diversos prefeitos?
Faria -  Sim, prestei muitos serviços à Prefeitura,  trabalhei  principalmente com os prefeitos Dr. Francisco Romano de Oliveira, Dr. Caio Gomes Figueiredo,  Dr. João Bosco Nogueira (dois mandatos),  Dr. Geraldo Alckmin,  Dr. Thiers Fernandes Lobo,  Dr. João Bosco Nogueira,  Francisco Vieira Filho e  Dr. Vito Ardito Lerário (três mandatos).

JC – Tem uma ideia de quantas fotos tirou durante sua vida?
Faria – Não faço a mínima ideia, perdi a conta, mas foram milhares e milhares.

JC – E você quase não aparece em nenhuma foto, por quê?
Faria – Meu trabalho sempre me obrigou a ficar por trás da câmera, e não gosto mesmo de ser fotografado, sempre preferi fotografar.

JC – Você trabalhou muitos anos para os jornais locais?
Faria – Só para a Tribuna do Norte trabalhei desde  a criação da Fundação Dr. João Romeiro,  em 5 de maio de 1980, com os presidentes: Luiz Salgado Ribeiro, Aércio Muassab, João Paulo Ouverney e Irani Lima. Também fiz muitas fotos para o Jornal da Cidade. E para a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Pindamonhangaba durante muitos anos.

JC – Quais os principais eventos retratados por você?
Faria – Fiz tudo quanto é esporte, Jogos Regionais, Jogos Abertos e outras competições;  concursos de beleza, rainha do Carnaval, desfiles de moda, desfiles cívicos, desfiles de Carnaval, inaugurações, comícios, eleições, Expovap, e toda espécie de acontecimento social.

JC – Desses eventos todos, quais os mais importantes?
Faria – Três eventos muito  importantes foram: a chegada dos restos mortais de D. Pedro I a Pinda em 1972; a inauguração da Villares nos anos 80 com a presença do presidente da República general João Batista Figueiredo,  e o jogador Rivelino quando se casou e estava em Campos do Jordão passando a Lua de Mel. Vendi as fotos para a revista Manchete e outros órgãos da grande imprensa.

JC – A Santa Casa está montando um museu com fotos de sua autoria?
Faria – Sim, eu forneci diversas fotos que estão sendo pintadas em grandes quadros pelo artista Hélio Hatanaka, uma iniciativa do provedor da Santa Casa, Engº. Luiz Carlos Loberto “Cacaio”.

JC – Você participou do programa Cidade contra Cidade, do Silvio Santos?
Faria – Realmente, isso foi nos anos 70, Pinda ganhou diversas vezes e eu tive a alegria de participar de alguns quadros, sob a coordenação dos inesquecíveis radialistas Percy Lacerda e Jota Marcondes.

JC – É verdade que você desfilou como modelo?
Faria – Quando era jovem participei de vários desfiles mostrando os últimos lançamentos de grifes famosas na época. Num desses desfiles fotografei a Xuxa e Luiz Brunet antes de se tornarem famosas. Estive também no programa Silvio Santos.

JC -   Você tem fama de ser grande dançarino, é verdade?
Faria – Na minha juventude, com 17 anos, aprendi a dançar no “Ninho do Corvo” onde hoje é o supermercado Excelsior, tinha um samba gafieira de primeira. Gostei e procurei me aprimorar cada vez mais. E danço até hoje,  já dancei nos principais clubes do Vale do Paraíba. A dança faz muito bem à saúde física e mental.

JC – E você foi também diretor de vários clubes?
Faria – Sim, fui diretor Social do Clube Literário no tempo do presidente Vitalino da Costa Manso; do Clube Atlético Pindense, e também diretor Social na Ferroviária quando a sede social  era no atual supermercado Excelsior, onde criei os bailes dançantes com conjuntos ao vivo.

JC – Você praticou esportes?
Faria – Sim, devido à minha estatura, fui jogador de voleibol da seleção de Pinda e participei de muitas competições sob a coordenação do competente técnico professor Una.

JC – É verdade que você lançou a moda da sandália Havaiana em Pinda?
Faria – Realmente, na época a sandália Havaiana surgiu no Rio de Janeiro e ainda era tabu nas cidades do interior. Fui lá, comprei, voltei para Pinda e comecei a usar. No início zuaram comigo, mas a galera acabou se acostumando com a idéia e a coisa pegou.

JC – Roberto Faria, mais alguma coisa a declarar?
Faria – Quero deixar meus sinceros agradecimentos a minha família, aos amigos, a todos com quem trabalhei durante todos esses anos, a todos que fotografei durante minha vida, e a Deus por permitir que eu nascesse e tivesse essa profissão maravilhosa! 

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